Quando li este poema pela primeira vez fiquei colado a lembrar-me de ti.
Penso muito em ti e falo muito em ti, mas vais ficando mais distante. Sempre foste assim. Não falas, eu falo, tu não falas. Eu procuro-te, tu escondes-te. Sinto-te fraquinha, fraquinha e não sei o que fazer para te ver bem. Estou sempre aqui, mas temo que não chegue. Gosto muito de ti e quero-te muito **
Penso muito em ti e falo muito em ti, mas vais ficando mais distante. Sempre foste assim. Não falas, eu falo, tu não falas. Eu procuro-te, tu escondes-te. Sinto-te fraquinha, fraquinha e não sei o que fazer para te ver bem. Estou sempre aqui, mas temo que não chegue. Gosto muito de ti e quero-te muito **
Deus escreve direito por linhas tortas
E a vida não vive em linha recta
Em cada célula do homem estão inscritas
A cor dos olhos e a argúcia do olhar
O desenho dos ossos e o contorno da boca
Por isso te olhas ao espelho:
E no espelho te buscas para te reconhecer
Porém em cada célula desde o início
Foi inscrito o signo veemente da tua liberdade
Pois foste criado e tens de ser real
Por isso não percas nunca teu fervor mais austero
Tua exigência de ti e por entre
Espelhos deformantes e desastres e desvios
Nem um momento só podes perder
A linha musical do encantamento
Que é teu sol tua luz teu alimento
E a vida não vive em linha recta
Em cada célula do homem estão inscritas
A cor dos olhos e a argúcia do olhar
O desenho dos ossos e o contorno da boca
Por isso te olhas ao espelho:
E no espelho te buscas para te reconhecer
Porém em cada célula desde o início
Foi inscrito o signo veemente da tua liberdade
Pois foste criado e tens de ser real
Por isso não percas nunca teu fervor mais austero
Tua exigência de ti e por entre
Espelhos deformantes e desastres e desvios
Nem um momento só podes perder
A linha musical do encantamento
Que é teu sol tua luz teu alimento
Sophia de Mello Breyner Andersen

